As mídias e o processo de leitura significativa e contextualizada

Mais do que ler é preciso compreender o que se está lendo. Mas isso para 29% dos brasileiros, que são analfabetos funcionais, é um desafio e até mesmo uma barreira para o conhecimento. É o que aponta o uma pesquisa realizada pelo Indicador Nacional de Analfabetismo Funcional (Inaf), de 2018.

A pesquisa foi realizada para medir os níveis de alfabetismo da população brasileira, entre 2001 e 2018, com pessoas entre 15 e 64 anos. E apesar dos outros quase 70% da população ser considerado alfabetizado, apenas 12% tem um nível proficiente, ou seja, seria capaz de ler e entender o que está lendo.

HÁBITOS DE LEITURA DO BRASILEIRO

Quando o assunto é leitura, os índices são ainda mais impactantes, como mostra a 5a edição da Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil realizada pelo Instituto Pró-Livro (IPL) em parceria com IBOPE Inteligência e Itaú Cultural para investigar o perfil do leitor de livros e outras plataformas.

Na pesquisa, 48% se declaram não leitores e 52% leitores. Se compararmos esse dado com a pesquisa anterior (2015), o percentual de não leitores aumentou 4% e de leitores caiu 4%.

Lembrando que é considerado leitor aquele que leu, inteiro ou em partes, pelo menos um livro nos últimos três meses. E é considerado não leitor aquele que declarou não ter lido nenhum livro nos últimos três meses.

Entre as faixas etárias que mais leem estão crianças de cinco a 13 anos, e partir dos 14 anos o índice de leitura cai expressivamente. E aí entra o questionamento de como desenvolver o senso crítico e comum das crianças e adolescentes em formação se eles não leem. Como alfabetizá-los para que não sejam parte do índice de analfabetos funcionais.

MÍDIAS E O PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO DE SENSO CRÍTICO

Considerando os dados de ambas as pesquisas é muito claro que ler é fundamental para o desenvolvimento humano, a formação do pensamento crítico e da formação de opinião.

A compreensão dos fenômenos do mundo e da sociedade em que se vive é feita por meio da leitura, seja de livros (digitais ou físicos), notícias, artigos, revistas, jornais.

As mídias orientam a audiência para fatos e questões específicas, reforçando valores, posicionamentos, visões de mundo acerca das questões que pautam.

Dessa forma, ao consumir conteúdos em jornais, por exemplo, é possível compreender que o processo de alfabetização é acompanhado de criticidade, pois percebe-se:

– A intencionalidade e a cultura de quem escreve;

– O contexto que influencia a escrita de uma mensagem;

– As condições materiais para a elaboração da mensagem.

Abordar reportagens, editoriais, crônicas, artigos de opinião, entrevistas e infográficos em sala de aula impacta diretamente no desenvolvimento da alfabetização.

Fazer a leitura desses materiais, gerar discussões e debates a cerca de um tema, promovem o pensamento crítico e consequentemente gera interesse dos estudantes pelo consumo de notícias.

Além disso, desenvolve interpretação textual, raciocínio lógico, criatividade, interpretação de contextos socioculturais, entre outras competências essenciais para uma leitura significativa e contextualizada sobre o mundo.

Quer saber como desenvolver um processo de leitura significativa e contextualizada em suas aulas? Faça agora mesmo sua inscrição gratuita no Ler e Pensar e participe de cursos de Formação continuada.